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Falar
sobre a UMBANDA não é fácil, embora pareça, visto esta ser freqüentemente
considerada como um subproduto do Candomblé e por isso, colocada sob sua influência
direta, no tocante e fatores como ritualística e conceitos sobre a divindade e
culto.
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Por
isso, muitos autores versados em Candomblé – e por isso dignos do maior
respeito – se vêem capacitados a escrever sobre UMBANDA, simplesmente por
considera-la um mero item dentro da religião em que se especializarem.
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A
verdade é bem diferente, pois a UMBANDA tem uma sistemática própria, toda uma
ciência independente e complexa, em sua essência bastante adversa do Candomblé,
do Kardecismo e outros, que muitas vezes até mesmo desdenham da eficácia e da
seriedade do movimento umbandista, apontando a UMBANDA como um mero apêndice
apenas por ser simples em sua aparência externa.
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Na
UMBANDA, quanto mais simples, melhor. Esta era uma das regras ditadas pelo
Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando de sua manifestação inicial no médium
Zélio de Moraes, em Niterói, no bairro das Neves.
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Conta-se
que Zélio foi surpreendido por uma estranha paralisia a qual os médicos não
conseguiam curar nem diagnosticar a causa. Mas logo Zélio ergueu-se do leito e
disse: “ Amanhã estarei curado”.
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De
fato, no dia seguinte, levantou-se e pôs-se a andar como se nada houvesse
acontecido, o que pasmou sua família, de origem católica ( tendo, inclusive,
alguns tios padres) que ficaram igualmente chocados.
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Por
sugestão de um amigo, a família dirigiu-se a Federação Espírita de
Niterói, onde no dia 15 de novembro de 1908 (Zélio então com 17 anos) foi
convidado a participar de uma sessão, onde foi tomado por uma força superior a
sua vontade. Levantando-se, então contra as normas que impediam o afastamento
da mesa, sentiu-se dizer: “ Aqui está faltando uma flor!” e
retirou-se da sala. Voltou logo depois com uma rosa, que colocou no meio da
mesa.
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Ao
restabelecer-se a corrente, houve a manifestação de espíritos de caboclos e
pretos-velhos em diversos médiuns, os quais foram convidados a se retirar pelo
presidente dos trabalhos, alegando seu atraso espiritual.
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Foi
então que Zélio sentiu-se mais uma vez dominado, pela mesma força que fez com
que falasse sem saber o que dizia. Perguntou o porque dos dirigentes não
aceitarem a comunicação daquelas entidades e o porque de serem consideradas
atrasadas. Isso iniciou um diálogo conturbado, que fez os dirigentes procurarem
doutrinar e afastar o espírito incorporado em Zélio.
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Um
dos médiuns videntes perguntou, então: “ Por que o irmão fala nesses
termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que,
pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados são claramente atrasados? E
qual o seu nome irmão?”
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No
que a entidade que atuava em Zélio respondeu:
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“Se julgam atrasados esses espíritos dos negros e dos índios, devo dizer
que amanhã estarei na casa deste aparelho para dar início a um culto em que
esses negros e esses índios poderão dar a sua mensagem e assim, cumprir a
missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos
humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos,
encarnados e desencarnados. E se querem o meu nome, que seja este: Caboclo das
Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”
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O
médium vidente retrucou, com uma certa ironia: “Julga o irmão que alguém
irá assistir ao seu culto?”. No que o Caboclo das Sete Encruzilhadas
respondeu: “ Cada colina de Niterói atuará como porta voz, anunciando o
culto que amanhã iniciarei!”.
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O
próprio Zélio de Moraes conta que no dia seguinte aconteceu o exposto: “
Minha família estava apavorada...Eu mesmo não sabia explicar o que se passava
comigo. Surpreendia-me haver dialogado com aqueles austeros senhores de cabeça
branca, em volta de uma mesa onde se praticava um trabalho para mim
desconhecido. Como poderia aos dezessete anos organizar um culto? No entanto eu
mesmo falara, sem saber o que dizia e porque dizia. Era uma sensação estranha:
uma força superior que me impelia a fazer e a dizer o que nem sequer passava
por meu pensamento”.
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”E
no dia seguinte, em casa de minha família, na Rua Floriano Peixoto,30, em
Neves, ao se aproximar a hora marcada – 20 horas – já se reuniam os membros
da Federação Espírita, seguramente para comprovar a veracidade do que fora
declarado na véspera; os parentes mais chegados, amigos, vizinhos e, do lado de
fora, grande número de desconhecidos”.
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Naturalmente,
no horário, manifestou-se o Caboclo, declarando que se iniciava, naquele
momento, um novo culto, onde os velhos espíritos africanos e os índios de
nossa terra, poderiam trabalhar em auxilio dos seus irmãos encarnados, não
importando a cor, raça ou a posição social.
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Ditou
também as normas do culto: a prática da caridade pura, com base no Evangelho
do Cristo, o qual seria o mestre supremo; as sessões seriam diárias das 20 às
22 horas e todos os participantes estariam uniformizados de branco, sendo o
atendimento gratuito.
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Disse
por fim o nome do novo sistema religioso, no início, Allbandam mas logo
substituiu por Aumbanda, palavra de vibração mágica, formada por três
poderosos mantras, que podem ser encontrados no sânscrito e que pode ser
traduzido por “Deus ao nosso lado” ou em sentido mais profundo “Conjunto
das Leis de Deus”.
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Zélio
de Moraes continua: “ A casa de trabalhos espirituais que no momento se
fundava recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria
acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que
necessitassem de ajuda ou de conforto.”
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”Ditadas
as bases do culto, após responder em latim e em alemão às perguntas dos
sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à parte
prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar aleijados. Antes do
término da sessão, manifestou-se um Preto Velho, Pai Antônio que vinha
completar suas curas.”
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Nos
dias posteriores, chegaram consulentes com enfermidades e doenças tidas como
incuráveis pelos médicos – até mesmo alguns casos de suposta loucura, onde
se constatou a mediunidade destas pessoas, que puderam então exercer suas
faculdades plenamente. Cinco anos depois, se manifestaria o Orixá Male, que
teria a função específica de curar obcecados e desmanchar trabalhos de magia
negra.
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Dez
anos mais tarde, o Caboclo das sete Encruzilhadas fundou o primeiro de sete
templos: Tenda Nossa Senhora da Guia, Tenda Nossa Senhora da Conceição, Tenda
Santa Bárbara, Tenda São Pedro, Tenda de Oxalá, Tenda de São Jorge, Tenda de
São Jerônimo, os quais estavam todos fundados em 1935, embora sob sua orientação
tenham surgidos dezenas deles, que formaram uma federação em 1939, a qual
passou a se chamar União Espírita de Umbanda do Brasil.
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De
lá pra cá, o movimento se agigantou e cresceu de forma desordenada aos olhos
dos mais apressados. Pode-se observar que basicamente não existem dois
terreiros de Umbanda iguais, em sua liturgia, alguns caindo mais para áreas de
cunho africanista, outros se voltando para uma linha Kardecista e outros bem
raros, se baseando dentro dos fundamentos mágicos e cabalísticos universais.
·
A
UMBANDA é uma religião para todos, moldável dentro de si mesma, sem que perca
a sua essência principal: a caridade e outras particularidades sucintas dentro
de cada tenda. Por exemplo: todo terreiro é obrigado a ter, entre outras
coisas, um conga e uma tronqueira, para defesa da casa. Mudam, é claro, a
roupagem ritualística e a aparência externa, pois tais fatores estão mais
vinculados à vontade dos pais e mães de santo ou dos dirigentes da casa. Mas o
modo das entidades trabalharem será sempre semelhante. Por exemplo: há sempre
o estalar de dedos, o cachimbo e o charuto
-embora muitos terreiros ditos Umbanda Branca não os utilizam, alegando
insenção de vícios, o que é uma bobagem, visto tais dirigentes talvez não
saberem a função desses elementos, pois um Caboclo ou Preto-Velho bem atuado
jamais traga o fumo e não deixa seqüelas em
seus cavalos (aparelhos) - as velas, as guias, sejam de qual material
forem.
1-
A
UMBANDA, na verdade, ressurgiu em solo brasileiro, através de um movimento
organizado pelo astral superior. A UMBANDA data de MILÊNIOS atrás, sendo a
síntese perdida dos pilares do conhecimento: A Ciência, a Filosofia, a
Religião e a Arte, que se fragmentou com o passar dos séculos. Indo mais longe
– A UMBANDA NÃO SURGIU DA JUNÇÃO DE OUTRAS RELIGIÕES, como apregoam por
aí. Ao contrário,
ELA É A ORIGEM DE TODAS AS RELIGIÕES TRADICIONAIS DO PLANETA.
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ANTES DE ZÉLIO MORAES... Apesar de ser considerado o marco inicial do Movimento Umbandista, o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas teve, ao que parece, predecessores em sua missão. É o que nos relata W.W da Matta e Silva, em sua obra “Umbanda e o Poder da Mediunidade”: “Em 1934 tivemos contato com um médium de nome Olimpo de Melo (...) que praticava a linha de Santo de Umbanda há mais de 30 anos ( portanto desde 1904, mais ou menos) e que trabalhava com o Caboclo dito como Ogum de Lei, com um Preto Velho de nome Pai Fabrício e com um Exu de nome Rompe-Mato. Em 1935 conhecemos também o velho Nicanor ( com 61 anos de idade) num subúrbio da Linha Auxiliar, dominado Costa Barros, que sempre afirmava, orgulhosamente, que desde os 16 anos já recebia o Caboclo Cobra Coral e o Pai Jacob (...) portanto, desde o ano de 1890, segundo suas afirmativas” Matta e Silva faz menção a sua entidade chamada Caboclo Curuguçu a qual, segundo Leal de Souza ( chefe da tenda Nossa Senhora da Conceição) foi o responsável pela vinda do Caboclo das sete Encruzilhadas ao nosso plano. |