Matérias de Edições Antigas

do Jornal Pomba Branca


Sumário

Matérias

Autores

Engenharia Divina

Página escrita pela médium Rozilda em 12-06-98

Caça-Níqueis da Fé Átila Nunes
Um pouco mais sobre ciganos Norma Estrella
O Estresse do dia a dia Gilberto Pinheiro
Os sermões que movem legiões Jorge P. da Fonte

Os Cultos Afro-Brasileiros

Átila Nunes

Os Números e a Saúde

Norma Estrela

Aprimoramento Espiritual

Átila Nunes

Ano Pessoal

Norma Estrela

Instruções para o Réveillon

Luiz Antonio Martins

Omolokô • Identidade de uma
Religião Afro-Brasileiros

Lecy Picorelli

Nossa Alma e as Essências Florais

Norma Estrela


 

Caça-Níqueis da Fé
Átila Nunes

Parecia que já havíamos visto de tudo, desde fanáticos religiosos chutando a santa, farra na contagem de dinheiro até aulas para arrancar dinheiro de pessoas de boa fé no melhor estilo “dá ou desce”.

Mas, não. Havia e há muito mais por vir. No mais recente episódio com a seita desses fanáticos, vimos um deles – seu chefão político - ser envolvido no escândalo de corrupção no qual um personagem foi filmado pedindo dinheiro para um banqueiro do jogo do bicho.

Num primeiro momento o político (e o maior porta-voz dos fanáticos eletrônicos) que mandava e desmandava no jogo oficial no Rio, chegou a perder seu título como “castigo”  (alguém sinceramente acredita que a cúpula da seita não sabia do seu envolvimento?).

Tentando evitar o escândalo, a cúpula dos fanáticos ameaçou desligar o político da seita eletrônica, proibindo-o de utilizar qualquer título “honorífico”.

Bom, alguns meses se passaram, o escândalo já não é o tema do dia e o tal político volta a assumir a sua posição de chefão na seita eletrônica. E tudo continua como antes do Quartel de Abrantes.

Esta incrível imoralidade parte justamente daqueles que se dizem contra a jogatina (mas que comandam o jogo oficial em todo o Estado do Rio) e que se dizem guardiões da moralidade, mas recolhem milhares de reais de gente humilde por dia em troca de promessas impossíveis de serem cumpridas.

Pior do que isso: essa gente critica, ataca, ofende e agride umbandistas e candomblecistas e chutam a imagem de N.S. Aparecida, mas fingem que são tolerantes com os seguidores de outros credos. Usam emissoras de tv (que são concessões do governo) para ampliar seu poder  e nos ofender, chamando nossos terreiros de casas de encosto.

Temos mais de 50 horas gravadas dos programas de televisão desses fanáticos. Estamos encaminhando ao Ministério Público Federal um longo dossiê que, além das imagens dos programas de tv em que nos ofendem, foram relacionados livros, jornais e revistas em que os espíritas são ridicularizados e humilhados, numa absurda e irracional campanha de vilipêndio religioso, caracterizando uma atitude criminosa.

Dizem que o brasileiro não tem memória. Pode ser. Para nós da família espírita, contudo, que já sofremos tantas perseguições num passado distante, a memória permanece viva. Mais viva do que nunca. E acompanhada de provas documentais que estão sendo encaminhadas a todas as autoridades brasileiras.
 

Um pouco mais sobre ciganos

Quando se estuda a origem de um povo, sua formação e desenvolvimento social, religioso, econômico, é necessário levar em conta documentos ou registros escritos. O povo cigano não possui uma linguagem escrita; o romanê ou rumanez, que é a sua linguagem básica  e  exclusiva,  é  essencialmente  oral.  É expressamente proibido ensinar o romanê a não-ciganos e livros que contenham vocabulário ou dicionários deste idioma, com certeza, não poderão provar sua autenticidade. Ela é tradicionalmente transmitida de pai para filho, de uma geração para outra. Sendo assim, não se tem documentos da história dos ciganos, que também é passada oralmente.

Afirmam os estudiosos que o povo cigano teve sua origem na civilização da Índia antiga, mais ou menos há três mil anos antes de Cristo. Nessa época, vivia um povo às margens do rio Indus, região noroeste da Índia, onde hoje está o Paquistão. Era um povo amante da música, das festas, da magia e das cores alegres, e que não estava preparado para a guerra, por isso, quando a região foi dominada por invasores árabes, escravizando o povo, alguns conseguiram fugir para outras terras. Quando lá chegavam normalmente eram bem recebidos, pois seus chefes apresentavam-se como príncipes, duques, condes e levavam falsas cartas de apresentação da nobreza e do clero europeus. Diziam-se peregrinos cristãos vindos do Egito e assim, obtinham licença das autoridades locais para se instalarem. Logo depois, os homens começavam a praticar pequenos furtos e as mulheres, a ler a sorte. Eram então, considerados malditos e responsáveis por epidemias e incidentes. Algumas vezes ofereciam-lhes dinheiro para deixar a região outros eram perseguidos e expulsos. Foram desta forma, tornando-se um povo nômade.

Várias lendas foram criadas para justificar tamanha perseguição e, na época das Grandes Descobertas os ciganos encontraram hospitalidade na Espanha e em Portugal, interessados em enviá-los às colônias africanas, asiáticas e americanas.

Outros pontos que parecem justificar sua origem é a pele morena, comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas e alguns princípios religiosos como a crença na reencarnação e na existência de um Deus Pai Absoluto. Tanto para os ciganos quanto para os hindus a religião é muito forte e norteia muito do seu comportamento, ditando normas e fundamentos importantes, que devem ser respeitados e obedecidos. Quem infringe alguns princípios comete falta grave, ficando sujeito às penas dos círculos cármicos até por algumas encarnações, além das penalidades impostas pela sociedade.

O gosto pela  dança e sua importância ritualística, a forma recatada das mulheres não expondo o corpo, também podem ser consideradas outras semelhanças entre os hindus e os ciganos.

Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano é a santa por quem nutrem sua principal devoção, Santa Sara Kali.

Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como mãe universal. Sua pele é negra tal como Shiva, uma das pessoas da Trindade divina para os indianos (Bramam, Vishnu e Shiva). Kali é a forma feminina da palavra kala, que significa tempo. Para os ciganos, Santa Sara possui a pele negra, daí ser conhecida como Sara Kali, a negra, num paralelismo claro com a deusa hindu. Santa Sara abençoa o povo zela pela família, os acampamentos, guarda a tenda, os alimentos, aniquilando os poderes negativos e os males que possam afetar as famílias ciganas.

A vida de nomadismo exigiu que, com o passar do tempo, fossem desenvolvendo profissões itinerantes e se tornassem ferreiros, domadores, criadores e vendedores de cavalos, comerciantes de miudezas, artistas de circo  e praticantes da arte divinatória, especialmente as mulheres.

A arte de prever o futuro e ler a sorte pertence às mulheres, e a figura feminina tem uma grande importância, já que nenhum cigano deixa de consultar as avós, tias e mães antes de resolver seus problemas ou os do grupo. As ciganas utilizam diversos oráculos, sendo os espelhos, os dados, a borra de café, a leitura das mãos e das cartas, os mais conhecidos.

As cartas ciganas, hoje são encontradas à venda, industrializadas, mas há algum tempo eram pintadas à mão e passavam de herança de mãe para filha, garantindo um segredo jamais revelado aos não-ciganos.

Marie-Anne Adelaide Lenormand, por volta do ano de 1800, na França, criou o Baralho Petit Lenormand, oráculo poderoso, que também pode ser apontado como origem do Baralho Cigano industrializado nos dias de hoje.

O baralho reflete a direção da vida da pessoa no momento em que ela está consultando as cartas, embora também revele a profunda motivação inconsciente do passado, que contribuiu para a atual situação. A observação dos símbolos desperta o interesse, a curiosidade, o receio e a esperança: sensações que ativam o inconsciente e permitem assim, que haja retrocesso no tempo e no espaço. Através dessa viagem, vai sendo trabalhados, gradativamente, o autoconhecimento, a iniciativa e a liberdade individual. A intenção do Baralho Cigano é justamente a busca do autoconhecimento, e por isso quanto maior for a precisão com que se observa as leis do universo e os próprios pensamentos, maior será a nitidez das verdades mostradas pelas cartas. Cabe a quem interpreta o Baralho, produzir e conduzir essa troca mágica de energia, favorecendo essa viagem interior.

As cartas não descrevem fatos concretos de forma predestinada, ao contrário, elas apenas ilustram as influências, as oportunidades e os motivos ocultos, muitos dos quais poderão não se concretizar em fatos ou em pessoas. Conhecem-se as tendências numa determinada situação poderemos mudar ou afirmar nossas opiniões acerca do assunto e/ou reiterar atitudes que nos conduzirão ou não ao nosso objetivo.

Norma Estrella
Numeróloga
(autora do livro “Numerologia sem Mistérios"
e professora de baralho cigano).

 


 

O Estresse do dia-a-dia 

A vida é agitada, estressante e isto não surpreende a ninguém. O rádio é um referencial importante para mensurar e validar estas palavras. Então, mergulho no tempo e dou asas à recordação.

Lembro-me perfeitamente que nos anos 60 os locutores de rádio falavam pausadamente e até transmitiam tranqüilidade, cada um mantendo a sua personalidade e o seu falar característico, o rótulo da identidade.

Hoje, não é mais assim!

Os locutores, principalmente, os de FM, têm a voz uníssona e padronizada e é praticamente impossível diferenciar um do outro. Todos têm o mesmo estilo, o mesmo falar, a mesma entonação, e o pior, a mesma agitação. Falam alto e muito rápido, ferindo os nossos ouvidos.

Este é um dos paradigmas que reflete uma sociedade mergulhada no estresse e intensa ansiedade, espécie de dor que se revela lentamente no decorrer de cada dia.

Não é à toa que hoje muitas pessoas sofram de doenças de origem psicossomática, com os nervos à flor da pele. O corre-corre rotineiro induz ao desequilíbrio das emoções tornando-os escravos do mau-humor, uma rotina desgastante que faz sofrer.

O tempo passa, o mundo se transforma e esquecemos de nós mesmos. Esquecemos das coisas simples, esquecemos de cultivar amigos, esquecemos de tudo, até de pensar que temos direito à felicidade. Mas, também temos que entender que é muito difícil ser feliz neste mundo de tantos contrastes e tão distante da paz. Contudo, nada impede de que se possa exercitar o sentimento, ter histórias para lembrar, ser sócio da saudade, para que haja perene motivação e aceitar a vida como ela é e se faz presente no dia-a-dia, com alguns lampejos de alegria e muitos dissabores. Talvez assim não precisemos dissimular a realidade e possamos encontrar a paz tão ensejada, o silêncio interior, o caminho que conduz à alegria de viver, dar um amplo sentido à vida, mesmo neste mundo de aparências e de valores tão superficiais.

Em síntese, é preciso navegar nos mares dos sonhos para construir-se um mundo melhor, com respeito, ternura e solidariedade, legitimando, definitivamente, a tão almejada paz.

Pena que nem todos pensem assim!

Gilberto Pinheiro
Jornalista e Músico

 


 

Os sermões que movem legiões

Liberdade de cultos favorece a proliferação de seitas neopentecostais que prometem saúde e prosperidade

• Leve dinheiro e compre seu paraíso, amarre sua miséria, lave seu cérebro. Aproveite e assista a um teatro de ficção repleto de amadorismos, histeria coletiva, rituais humilhantes, fanatismo doente e fácil charlatanismo neste país de analfabetos esfomeados e desempregados, escravos dos poderes; neste país de desigualdades e tão explorado. De brinde (em troca de gordos envelopes), bugigangas, crachás e poções consagradas que prometem garantir a abertura das portas da felicidade e a certeza de que todos os seus problemas são gerados por encostos, demônios, almas penadas, olho gordo e feitiçarias. E eu pensando que muitos fossem resultado do descaso do governo, pode?

É preciso explicar melhor nossa Constituição e fazer com que ela seja cumprida. É necessário alterar urgentemente o Código Penal. A liberdade de expressão de Tim Lopes foi punida com violência. A interpretação de liberdade de cultos leva a toda ordem de desrespeito à ética e à dignidade. Uma verdadeira bandalheira, na qual grupos dominadores de mentes põem abaixo todos os direitos do cidadão.

 

Para pastores, problemas são obras do diabo

Gritos de ordem e cantos de louvor ao Deus desconhecido pedem que “os olhos vejam o que não viram ainda” e que Ele faça “tremer as estruturas”.

Segundo psicólogos, esses pastores se utilizam de sugestão e hipnose, aumentando a confiança e o entusiasmo para se conquistar sonhos e a capacidade de lidar e enfrentar problemas, num chamado coping religioso.

Médicos reconhecem a técnica da respiração holotrópica, que aumenta a oxigenação do cérebro e baixa os níveis de consciência. Isso tudo, em meio à multidão, contagia como virose, nos corredores-veias repletos de obedientes obreiros jovens, que se multiplicam e se movimentam como uma fantasiosa e assustadora Matrix. Milhões de sacolas arrecadam os últimos tostões dos fiéis, em troca de algumas palavras positivas.

Mas não pense que pondo um copo de água ao lado da TV sintonizada num programa em cadeia nacional você obterá as curas milagrosas ou se livrará dos tais carregos. A libertação só ocorre ao vivo e com dinheiro vivo, após você ser manipulado com técnicas científicas de transe e admitir sua fragilidade e capacidade de ser influenciado pelos mercenários dessas seitas neopentecostais. Não me admiraria se esses soldados, esses camicases da fé provocassem uma revolução ou um suicídio coletivo, tamanha a entrega à causa.

O inteligente e milionário líder, idealizador desse celeiro de estelionato impune, utiliza-se de uma estratégia de marketing quase infalível. Em primeiro lugar, coloca uma causa para todos os problemas, dramas, depressão e infernos pessoais. Homossexualismo, vícios e pobreza são frutos de obras do diabo. Em segundo lugar, apela para uma reprogramação do subconsciente, dizendo a esse povo supersticioso o que ele quer ouvir. Essa sensação de pertencer a um grupo, de se imaginar curado, rico e famoso é prazerosa. Por isso, muitas vezes, a fraude da persuação funciona.

Essa técnica de marketing deve ser a mesma utilizada por políticos em eleição; multinacionais; Forças Armadas (muitos ainda morrem pela pátria); traficantes; loterias (jogos de azar com mínimas chances de vitória, menores ainda que qualquer bingo ou bicho, mas com participação do governo); e profissionais inescrupulosos que se utilizam da tão na moda neurolingüística para ensinar o sucesso, engrandecendo a indústria da auto-ajuda.

 

Acesso à informação e à cultura deve ser estimulado

Muitos abusam da boa e ingênua fé: falam de maldição, punem indisciplina com humilhação para aumentar seus ganhos, arrecadar e manter clientes ou simplesmente defender a disciplina, a ordem e a paz numa nação que se permite mover por cordéis. Uma nação manipulada em seu subconsciente, enganada, ignorante de muitos fatos encobertos, inclusive das trocas de favores com políticos influentes.

Cada vez mais devemos exigir educação, acesso a todas as informações e cultura geral, para que nossa mente não aceite tudo como verdade. Como fatores de modificação de toda a história de uma sociedade, precisamos descobrir nossos talentos, exigir nossos direitos e acreditar em nós mesmos. Se você deseja se sentir fazendo parte de um grupo com garra, crie uma cooperativa de trabalho e recupere o mais rapidamente possível a sua cidadania. Uma idéia de negócio? Honestidade anda muito em falta no mercado.

Se você deseja orações de motivação, faça a sua. Abençoe a si mesmo. Podemos derrubar qualquer ordem dominada por corruptos de genes podres, por farsantes que prometem salvação eterna e tornam o povo cada dia mais pobre, por pastores que se esquecem dos plurais, mas não da extorsão pública de dinheiro. Tá ligado? Amém, pessoal!

Jorge Penna da Fonte
16 anos, do Leblon – RJ
REPORTAGEM PREMIADA

Engenharia Divina

Foi com uma engenharia didática de extraordinária beleza que Jesus nos reuniu a todos em seu tabernáculo de amor para que cada um de nós cumprisse específica tarefa nos caminhos do Bem. Por isso nos guia, nos fortalece. Apresenta-nos a Kardec como modelo a seguir e nos pede atenção refinada para os que clamam em suas dores lancinantes provenientes de um pretérito sombrio.

Agracia-nos com a presença constante da espiritualidade e solicita-nos estejamos em paz para sermos mediadores dignos entre a Terra e os Céus. 

Assevera-nos de que devemos carregar, cada um de nós, a nossa cruz para fazermos jus ao galardão de sermos considerados seus discípulos com paciência e discernimento.

Alerta-nos sobre a justiça que residirá na conseqüência de nossos atos. Chama Judas de amigo para demonstrar as nossas fraquezas repetidas.

Aponta-nos um universo de trabalho fecundo para que possamos nos diluir em dar amor, compreensão, nosso precioso tempo em coisas que levem ao desenvolvimento pleno de nossas faculdades intelectuais, mais espirituais.

Estamos acampados no Espiritismo e Espiritismo e algo muito sério. Construamos nossa tenda para o Cristo interno falar através de nossas mãos, santificando-as, através de nossa voz equilibrada, pacificando as trevas através de nossos gestos, iluminando mentes nubladas em instantes de tempestades.

Usemos de sinceridade, diálogo, para crescermos verdadeiramente como irmãos. O engenheiro, muitas vezes, está cheio de teorias, mas é o técnico que entende melhor o circuito. O engenheiro tem o conteúdo conhecido, mas o técnico traz a experiência, a competência e só unindo esforços a empresa cresce.

O vento único que balança todas as árvores chama-se Deus, mas se quisermos nos aproximar mais Dele haveremos de ser mais simples, mais coerentes, mais fraternos.

(Página escrita pela médium Rozilda
em reunião pública realizada em 12-06-98)

Os Cultos Afro-Brasileiros
Átila Nunes

Os cultos afro-brasileiros, de forma geral, muito influenciam e são influenciados pelas demais instituições. A família obteve prestígio nos ensinamentos e práticas religiosas, a ponto de dar caráter sacramental ao casamento. 

No campo cultural, por exemplo, a música, a escultura e a pintura, estão estreitamente ligadas às obras religiosas umbandistas do tempo dos escravos até a abolição da escravatura, por isso, negar a influência africana no nosso desenvolvimento cultural seria negar a existência de Deus. 

Os cultos afro-brasileiros, além de desenvolverem suas funções religiosas, exercem funções sociais de grande relevância. É responsável pela elevação dos costumes e preza pelo melhor tratamento dos seres humanos menos favorecidos pela sorte. Nossos irmãos de fé muito vêm trabalhando em prol ao respeito à criança e pela assistência aos necessitados. 

Precisamos nos ajustar à "civilização em mudança" de nossos dias, aceitando novas idéias, novos padrões de conduta. Temos que ampliar as funções de nossos templos espíritas, para que venham ser núcleo de vida das pequenas comunidades, oferecendo aos jovens, oportunidades de estudo e recreação. 

A nossa religião é muito linda e seus filhos sabem disso. Não basta, contudo, que nos apeguemos apenas ao aspecto religioso, pois existem meios pelos quais podemos auxiliar outras pessoas. A nossa religião é uma colméia gigantesca com ramificações espalhadas em todos os sentidos. 

Determinar cada um destes sentidos e interpretá-los adequadamente é nossa missão. 

Lamentamos com muito pesar o falecimento de Barbosa Da Oxum, homem que dedicou sua vida a difusão dos cultos afro-brasileiros de forma que muito nos dignificou. 

 

 

Os Números e a Saúde
Norma Estrela

A Numerologia é, como já dissemos, um instrumento de autoconhecimento. Atualmente muito se lê e ouve falar sobre esta ciência holística, como se fosse algo descoberto recentemente. No entanto, seu estudo data do século V AC, com Pitágoras, místico e filósofo, considerado hoje "Pai da Matemática".

Tudo no mundo possui um nome; nomear é dar significado às pessoas, empresas, produtos, lugares, objetos, a tudo o que existe e tem um significado para o ser humano. Só o que possui nome é conhecido e tem "vida", pois somos "seres da linguagem". O nome é formado por sons (letras) que possuem características próprias. A cada letra corresponde um valor numérico. Substituímos então, cada letra do nome que queremos analisar pelo seu valor correspondente. O somatório desses valores é capaz de expressar um conjunto de características e atributos. Assim, possuímos um número que exprime nossas características mais interiores e nossas aspirações, nossa Alma, um que representa a forma como os outros nos vêem, nossa Personalidade, e um outro que representa nosso propósito de vida, aquilo que "escolhemos" como missão nesta existência. Existem ainda outros números que mostram características que devemos desenvolver, algumas que precisamos refrear, dificuldades e tendências, além de períodos de aprendizagem e crescimento.

O número que representa nosso propósito de vida mostra também os dias mais propícios para nossas atividades pessoais e profissionais, o elemento a que estamos mais ligados (água, ar, terra e fogo), o mês em que geralmente vivemos mudanças em nossa vida, nossa forma de lidar com o outro e expressar amor, além de órgãos e partes do corpo mais sensíveis para os quais deveremos dispensar maior atenção.

Para calcular este número somamos todas as letras de nosso nome completo depois de substituí-las por seus respectivos valores. Devemos usar sempre o nome de batismo, nunca o de casada ou algum apelido que resolvemos adotar. O resultado encontrado nesta soma deverá ser reduzido a um só dígito. Se você encontra por exemplo 115, deverá somar 1+1+5=7. Apesar da análise do primeiro resultado (115) ser bastante importante, para um estudo inicial podemos analisar apenas o sete, o dígito simples.

Pitágoras ensinava que tudo no Universo acontece dentro de ciclos progressivos e que as formas de se medir esses ciclos são os números de 1 a 9. A partir de 9, no 10 (1+0=1), recomeça o ciclo.

Então, lápis e papel na mão para somar seu nome completo de acordo com a tabela alfanumérica:

1

2

3

4

5

6

7

8

9

A B C D E F G H I
J K L M N O P Q R
S T U V W X Y Z  

Depois de substituir cada letra pelo seu valor correspondente, somá-las e reduzir o resultado a um dígito, veja a que órgão ou parte do corpo você deve dar uma atenção especial: 

  1. Cuidado com o coração e o sistema circulatório. Sua tendência a querer dominar e impor suas opiniões poderá afetá-los.

  2. O estômago e os seios podem ser afetados por sua grande dose de emotividade e desejo de exercitar a diplomacia. Cuide da indecisão emocional.

  3. O fígado, a vesícula e as coxas são seus pontos fracos. Não desperdice suas energias em muitas direções; desempenhe uma atividade de cada vez.

  4. Sua excessiva preocupação com o trabalho, o método e a organização poderão lhe causar distúrbios digestivos. Não exija de si mais perfeição do que o necessário.

  5. Os pulmões, o aparelho respiratório e o sistema nervoso poderão ser afetados por seu imenso desejo de experimentar novidades e mudanças. Vá devagar, há tempo para tudo.

  6. Não exagere na responsabilidade e preocupação com os outros para que isto não venha a lhe acarretar problemas renais. As veias e a garganta também merecem sua atenção.

  7. Seus pontos fracos são os pés e o sistema linfático, mas isto não é motivo para querer se isolar. Acredite mais na sua capacidade. Não é sem razão que os outros buscam os seus conselhos.

  8. O excesso de materialismo e racionalidade acabam lhe causando calcificações e problemas com os joelhos, ossos e ligamentos. Confie um pouco mais nos outros e tente dividir suas tarefas e responsabilidades.

  9. Você é bastante abnegado, prestativo e humanitário, capaz de abrir mão de seus direitos e necessidades em favor dos outros. Seus pontos fracos são o rosto e o crânio.

Cuide-se e boa sorte!

 

Aprimoramento Espiritual
Átila Nunes

Um dos sistemas mais eficientes para que o homem se aproxime da divindade é o aprimoramento moral e espiritual do seu "ego". Costuma-se dizer que todas as entidades que se manifestam nos terreiros são de igual poder — se bem que existia hierarquia também no plano astral. Logo, a maior ou menor espiritualidade, a mensagem mais pura, a vibração e o fluído mais perfeito dependem do aparelho, ou seja, do seu grau de evolução e de preparo. 

Deve o médium analisar a si próprio a fim de corrigir as suas falhas, em lugar de comentar e reparar defeitos alheios; proceder corretamente, não só dentro do terreiro como também na vida social e profissional: 

Só será vitorioso quem apoiar seu sacerdócio em base de humanidade, amor e de renúncia.


 

Ano Pessoal
Norma Estrela

Com tudo quanto existe no Universo, nós também nos movimentamos em ciclos periódicos. Experimentamos períodos pessoais e outros mais abrangentes. Cada ano por exemplo, possui, de acordo com o resultado do somatório de seus algarismos, uma vibração sentida por todos nós é o que chamamos ano universal. O ano universal é sentido da mesma forma para todos, enquanto os períodos pessoais variam conforme a data de nascimento de cada um.

O ano de 2002 quando reduzido apresenta um total 4 (2+0+0+2=4), que indica o tipo de acontecimento ou atividades que poderemos esperar que o mundo encare. Estamos vivendo um ano universal 4, época de rigidez, compromissos e contenção financeira.

Em paralelo ao ano universal, cada um de nós estará sentindo as vibrações de seu ano pessoal, que sofre as influências do dia e mês de aniversário. O ano pessoal é o resultado reduzido do somatório do dia + mês de nascimento + o ano universal. Se você nasceu por exemplo, em 23 de novembro, seu ano pessoal será 2 (23+11+4=38; 3+8=11; 1+1=2). Estará vivendo dentro de um ano universal de responsabilidades e contenção, um ano pessoal de associações e alguma fragilidade emocional.

Além dessa análise do ano pessoal, temos ainda os três quadrimestres em que podemos dividir um ano e a análise do número resultante de cada mês. Mas de uma forma mais simples, teremos uma idéia do que nos espera em 2002, calculando nosso ano pessoal. Some então, dia e mês de seu nascimento mais 4 (2002) e veja qual dessas vibrações está reservada para você.

Ano 1 — Época de inícios, de planos progressistas e realizações. É hora de planejar um novo ciclo de acontecimentos. Este ano exige trabalho, organização, pensamento claro e objetivos definidos, pois o sucesso virá de acordo com o esforço individual.
Ano 2 — Ano de paz e tranqüilidade. Será necessário tato, diplomacia e paciência no trato com os outros. Cuidado com alguma carência afetiva.
Ano 3 — A vida social estará em alta e poderão surgir oportunidades para que realize aqueles cursos que vem sendo adiados. Seu humor e otimismo deverão lhe trazer amizades e felicidades. Este é um ótimo ano para o casamento e novos romances.
Ano 4 — Este será um ano prático e de trabalho. Detalhes, sistemas e ordem estarão em evidência. Talvez precise cuidar melhor de sua saúde e enfrentar novas responsabilidades. O sucesso dependerá de economia, método e prática, mais do que da sorte para o progresso material.
Ano 5 — Ano favorável às viagens, mudanças e grandes paixões. A liberdade será um ponto alto em sua mente e o desprendimento e a versatilidade bem orientados poderão lhe trazer progresso. Cuidado para não gastar além do que ganhar. Este também é um bom ano para o casamento.
Ano 6 — Depois da liberdade do ano anterior, surgirão responsabilidades e deveres domésticos. Será importante saber dar e servir com amor e dedicação para poder receber alguns frutos. Talvez consiga juntar algum dinheiro, mas não será época ideal para comprar ou construir uma casa ou se engajar em algum projeto.
Ano 7 — É um ano de estudos, de especialização e de se dedicar à atividades intelectuais. Não é época de expansão nos negócios ou de iniciar coisas novas, mas de dar os toques finais no que foi iniciado antes. Talvez sinta-se um pouco só.
Ano 8 — É tempo de colher o que foi semeado e cultivado desde o ano um. Organização, planejamento, eficiência e uma atitude profissional serão essenciais. A razão deve predominar sobre as emoções e os sentimentos.
Ano 9 — Este é um ano de terminar o que ficou por fazer e permitir que as coisas antigas se vão. É um período de complementação e não de inícios. Precisará ser tolerante, compassivo e pronto para o perdão. A saúde poderá precisar de cuidados e poderão acontecer perdas em finanças ou em amizades.

Se o somatório for um número maior que 9, um número que possua dois dígitos, some-os para encontrar apenas um. Afinal, tudo no Universo está sujeito a ciclos progressivos que vão do 1 ao 9. Quando chegamos ao 10 (dez), porque 1 + 0 = 1, começamos tudo novamente.


 

Instruções para o Réveillon
Luiz Antonio Martins

Um grande mestre já havia nos dito que para arrumar o mundo na paz seria, em primeiro lugar, necessário que se harmonizasse o ser humano. O mundo é o ser humano e o ser humano não está em sintonia consigo mesmo. O ser humano vem buscando este entendimento e não consegue realizá-lo. O ser humano necessita do despertar de sua verdadeira missão neste planeta. E só poderá consegui-lo quando começar a realizar seus sonhos de paz. Seus sonhos de paz serão conseguidos na realização de seus sonhos mais íntimos. 

É preciso acreditar em seus sonhos e projetar ao mundo o que há de melhor dentro de si mesmo. Quantas e quantas vezes nos sentimos tristes e desajustados com o mundo por não termos realizado nossos sonhos. Quantas e quantas vezes não nos sentimos incapazes desta realização.


ROUPAS ADEQUADAS PARA O RÉVEILLON
O branco representativo de Oxalá é a cor ideal para a passagem do ano. As jóias poderão ser em ouro, com brilhantes ou zircônia.

MANDALA PARA A PASSAGEM DE ANO
Como a passagem do ano forma uma egrégora propícia à realização de rituais, uma vez que, neste dia, todos estão com o pensamento voltado para o novo ano que chega, a montagem de uma Mandala será de muita ajuda nos lares de todos aqueles que desejam se sintonizar com um mundo de paz e harmonia. O melhor horário para a montagem da Mandala é no momento em que os ponteiros do relógio estão sobrepostos, como por exemplo, às 12h, 13h05min, 14h10min e assim por diante.

Toda e qualquer Mandala, quando montada, requer sejam feitos pedidos em prol da humanidade e nunca para aquele somente que a realiza. Quando estivermos pedindo por paz e harmonia em nossas vidas devemos também acrescentar ao pedido, a solicitação de paz e harmonia a toda a humanidade. Agindo assim, estaremos seguindo as Leis da Magia.



MATERIAL NECESSÁRIO

Antes de entrarmos na montagem da Mandala, é bom que se lembre que qualquer ato ritualístico requer paz e concentração para que os objetivos sejam alcançados. De nada adianta montar uma Mandala quando a mente não está suficientemente direcionada para este fim. O aparente simples ato de acender uma vela requer uma concentração naquilo que se faz. Qualquer vela deve ser acesa com fósforos e com o pensamento firme naquilo que se deseja, no caso a paz e a harmonia.

No dia de arrumação da Mandala, procurar manter-se harmonizado, sem aborrecimentos. Arrumar a Mandala fazendo um triângulo com o fio de cobre, apontando uma das pontas para a direção do Sol Nascente. Acender a vela branca no centro do triângulo. Colocar a tacinha com 21 gotas de aloés, na ponta direita do triângulo e a tacinha com 21 gotas de essência de benjoim na ponta esquerda do triângulo. Todo o material é colocado pelo lado de dentro do fio de cobre. Na ponta superior a tacinha com 21 gotas de essência de lótus. Ao lado do aloés colocar o cristal de quartzo branco e do lado da tacinha com benjoim a zircônia.

Quando a vela terminar, após o sétimo dia, deve-se “levantar” a Mandala. A água das tacinhas deverão ser colocadas em água corrente e o fio de cobre enrolado nas pedras. Coloca-se o fio de cobre com as pedrinhas dentro de um saquinho branco. Este saquinho poderá ser trazido junto a si ou colocado pendurado atrás da porta de entrada da casa para atrair paz e harmonia ao lar.
 

 

Omolokô Identidade de uma Religião Afro-Brasileiros
Lecy Picorelli

Meus respeitos aos irmãos, irmãs e leitores do Jornal Pomba Branca.
Antes de iniciarmos gostaria de externar o quão honrada e emocionada fiquei diante do convite do Presidente da Federação Brasileira de Umbanda e amigo de longa data, o Dr. Manoel A. Souza, confiando-me a missão de assinar uma coluna periódica no Jornal, oferta que prontamente aceitei por julgá-la como uma valiosa oportunidade para trazer esclarecimentos sobre o culto Omolokô, minha religião e bandeira de fé, onde deposito toda a minha devoção e amor aos Jinkisi. 

Espero a partir de então, contribuir para a divulgação positiva desse culto, revelando dados inéditos e valiosas informações sobre essa religião, no firme propósito de respaldar o resgate da sua origem Africana, a fim de embasar a restauração de sua mais legítima identidade.

DESVENDANDO O CULTO OMOLOKÔ 

A desinformação sobre o Omolokô foi e é provocada pela combinação de vários fatores. 
Primeiro porque o povo Bantu, ponto de partida desse culto, era particularmente dado ao isolamento e muito mais reservados que os demais negros que aportaram no Brasil. Eles supunham manter desse modo, os segredos de culto intactos, mas na realidade isso acabou por gerar inúmeras distorções, vividas até os dias de hoje. 
Segundo porque muitos dos antigos Sacerdotes do culto foram morrendo e levando consigo boa parte do que sabiam. Terceiro por causa dos ensinamentos passados pela transmissão oral, visto que pela oralidade restringia-se apenas a memória dos mais confiáveis e graduados iniciados, a guarda dos fundamentos. Memória muitas vezes falha, que levou simplesmente ao esquecimento de muitas das preciosidades originais e dos fundamentos do culto. 
Por fim a dificuldade de se levantar arquivos, registros históricos, matérias, artigos, documentos e demais fontes de consulta, desestimulam ao estudo e a redescoberta do culto. 

As atuais barreiras para se desvendar o Omolokô, devem-se a raridade de se encontrar antigos livros publicados que tratem objetivamente do assunto, aliada a total inexistência de novos lançamentos literários exclusivamente voltados à doutrina do culto, para que se possibilite restaurá-lo e ergue-lo ao topo e ao lado das demais religiões co-irmãs afro brasileiras, destacando-o por sua genuína identidade.

Mas como nenhum obstáculo é intransponível para N’Zambiapongo, ou simplesmente Zambi - o Criador e Deus dos Bantus e do Omolokô e nem para Kitembu, ou Tempo – O Patrono do Omolokô, estarei contribuindo para que o meu culto tenha a sua identidade reconhecida, calcada em seus próprios fundamentos, a fim de derrubar de uma vez por todas o tom, às vezes pejorativo, de leigos, ao rotularem o Omolokô como um “Umbandomblé”, uma “Umbanda Melhorada” ou um “Candomblé de meia feitura”, o que só demonstra o grau de desinformação a respeito do culto.

É preciso resgatarmos primeiramente as suas raízes. Para isso focaremos inicialmente em África, mais precisamente naqueles que nos deixaram o Omolokô de legado, o povo Kiôco, mais exatamente os Kiôcos de Lunda, de cuja organização social, história e cultura, idioma nativo, costumes, crenças e rituais religiosos, lendas e superstições, musicalidade e percussão e dos seus conceitos morais foram erguidos os alicerces da religião praticada hoje em dia.

KIÔCOS DE LUNDA - A RAIZ AFRICANA DO OMOLOKÔ

Na antiguidade o povo Kiôco, conquistador por natureza, espalhou-se por diversos pontos da África Central, povoando uma grande extensão de terras, compreendidas desde a região Sudeste até a Nordeste da República Democrática de Angola, ocupando também parte da República Democrática do Congo e de Zâmbia.

Foi em Lunda, uma província dividida em Lunda do Norte e Lunda dos Sul, situada no nordeste de Angola, onde houve a maior concentração desse povo e de onde surgiu o termo Kiôcos de Lunda. 

O idioma predominantemente usado pelos Kiôcos de Lunda é o Kimbundu, que influenciou a língua portuguesa a ponto de acoplar nela diversos termos como: samba, umbanda, etc.

A geografia na área ocupada pelos Kiôcos, tanto dispunha de bosques densos e florestas tropicais às margens dos rios Kasai e Kwilu, quanto de planícies de savana e de imensos planaltos gramados desde a parte central angolana até a margem rio Zambezi na Zâmbia ocidental. Nesse "habitat" fartamente banhado pela natureza, cultuavam e louvavam o sagrado. 

Os Kiôcos desenvolveram e mantiveram a sua identidade cultural adaptando-se a influências externas. O sucesso dos Kiôcos e de sua sobrevivência foram resultado de sua flexibilidade cultural e de sua habilidade para se adaptarem às mudanças iminentes em toda África e fora dela. Falamos das raízes africanas trazidas pelos negros Kiôcos. No próximo encontro aqui, falaremos da tríade formada por N’Zambi, Kalunga e Kitembu.

 


 

Nossa Alma e as Essências Florais
Norma Estrela

Na maioria das vezes, as características que demonstramos não correspondem à nossa realidade interior, à nossa verdadeira personalidade. Somos um código resultante do somatório dessas qualidades interiores, das exteriores – aquelas que demonstramos – e de nosso propósito de vida. 

A Numerologia Transpessoal chama a essas características interiores de “Número de Alma”; às exteriores de “Número de Personalidade”e ao nosso propósito, “Número de Expressão”. Esses números e ainda outros que traduzem nossas dificuldades, deficiências, impulsos, lições cármicas e tendências gerais, nos são dados por nosso nome de batismo. Daí sua importância, pois embora exista todo um processo reencarnatório, onde nossas potencialidades são traçadas, a energia vibratória de nosso nome irá tornar mais fácil ou não vivenciá-las.

Quando estudamos nosso mapa numerológico começamos a entender todo um conjunto de vibrações que nos revela uma “rota” traçada para nosso aprendizado nesta existência. O somatório das vogais existentes em nosso nome, nos revelam o “Número de Alma”. Assim, somos mais ou menos individualistas ou sensíveis, dependendo desse resultado. Em uma análise mais simples, considerando apenas o dígito final, basta substituir cada vogal de seu nome de batismo completo pelo valor numérico correspondente:

A = 1
E = 5
I = 9
O = 6
U = 3

Some esses valores, reduza o total a um dígito e veja suas principais características.

1   

Pessoa dominadora, independente e ambiciosa. Objetiva o sucesso pessoal, gostando de ser admirada. Possui capacidade de trabalho e êxito, é eficiente e líder nata. Deve procurar cultivar a diplomacia, a paciência e o tato ao invés de querer impor suas idéias.

2   

Sensível em relação aos outros, amante da paz e da harmonia. Não gosta de viver só, preferindo sempre trabalhar em conjunto. É paciente, requintando, sincero, discreto e vive na dependência das suas sensações. Precisa lutar contra sua passividade e submissão.

3   

Bastante criativo e extrovertido, é otimista, sociável e bem-humorado. Gosta do conforto e requinte e busca sempre a beleza, pois tem dons artísticos. Muito inteligente, precisa cuidar para não dispersar seus talentos nem tornar-se superficial.

4   

Gosta da ordem, precisão e trabalho. Valoriza o método, a organização e a estabilidade. Trabalha bem com a rotina e, freqüentemente, vê nas tradições e nos princípios um meio de conservação dos valores. Deve procurar permitir-se um pouco mais e não ser tão exigente e perfeccionista consigo mesmo.

5   

Independente, com forte desejo e necessidade de liberdade, prefere as mudanças e o inesperado. Impulsivo, anti-convencional, entusiasmado e inteligente. Muito versátil, precisa ter cuidado com os excessos, assumir as responsabilidades e direcionar suas energias para não desperdiçá-las.

6   

Responsável, tem prazer em servir e proporcionar alegria e equilíbrio aos demais. Carinhoso, simpático e leal, precisa cuidar para não se preocupar além do necessário nem sufocar as pessoas por amá-las demais.

7   

Inteligente, introspectivo, meditativo e filósofo, tendente à reflexão. Não gosta de ambientes barulhentos e multidões e necessita de momentos de solidão para crescer. É voltado para os mistérios da vida e os assuntos metafísicos despertam-lhe grande interesse. Precisa cuidar para não se tornar solitário nem buscar remédio em alguma forma de escapismo.

8   

Eficácia, liderança e tino comercial são seus pontos fortes. Capaz de adquirir e conquistar, sobretudo no plano material. Corajoso e confiável, possui grande senso de liderança, podendo dirigir grandes organizações. Não gosta de demonstrar seus sentimentos e precisa cuidar para não se tornar arrogante e autoritário.

9   

Pessoa voltada para o conhecimento universal e a sabedoria. Abnegada, caridosa e idealista, é capaz de sacrificar-se por uma causa que considere digna. Bastante intuitiva e sensível, consegue entender as razões e dificuldades dos outros, sendo, assim, compreensiva e generosa, doando-se sem esperar retribuição. Precisa cuidar para não se tornar ingênua nem se deixar enganar com facilidade.

11   

Pessoa de inteligência brilhante, pioneira, de visão ampla e facilidade para conduzir massas. Porque consegue visualizar as soluções quando os outros ainda discutem o problema, poderá não agir bem compreendida pelos demais e tornar-se um tanto excêntrica. Esta vibração é difícil de ser vivida, pois traz consigo o dom da revelação e inspiração; quando não se consegue vivenciá-la, acaba por desenvolver as características do número 2. 

Para quem deseja trabalhar suas características e conseguir vivê-las com equilíbrio, a natureza oferece alguns meios. As flores e suas essências (os florais), descobertas pelo Dr. Bach entre os anos de 1930 e 1934, são um meio de autocura bastante eficaz. Como o próprio Dr. Bach dizia: “Não nos pedem que sejamos todos santos, mártires ou pessoas de renome; à maioria de nós estão reservados trabalhos menos notáveis; mas se espera que entendamos as alegrias e as aventuras da vida e que cumpramos o quinhão de trabalho que a Divindade reservou para nós”. 

Sabendo então, nosso "Número de Alma" poderemos optar por florais capazes de nos ajudar a vivenciá-los da melhor forma. No entanto, tudo é válido como pista, porém não podemos generalizar. Outros aspectos podem somar e fazer a diferença em determinado momento da vida da pessoa. É sempre necessário que o terapeuta converse e ouça quem deseja usar o floral.

Alma 1

Vervain, a flor do idealismo, do entusiasmo.
Vine, a flor da liderança.
Impatiens, a flor da calma e diplomacia.

Alma 2

Gorse, a flor da esperança.
Heather para os que precisam sempre de companhia.

Alma 3

Clematis, a flor da concretização.
Beech para controlar a tendência a criticar os demais.

Alma 4

Oak para os que se sobrecarregam de responsabilidades.
Rock Water para os que são inflexíveis.

Alma 5

Wild Oat, a flor da direção de vida.
Walnut para saber lidar com as mudanças.

Alma 6

Red Chestnut, a flor do amor equilibrado.
Chicory, a flor do amor incondicional.

Alma 7

Water Violet, a flor do relacionamento.

Alma 8

Impatiens, a flor da diplomacia.
Holly, a flor da generosidade (para controlar a tendência à vingança).
Vine, a flor da liderança.

Alma 9

Centaury para os que não sabem dizer não.
Chestnut Bud para não se deixar enganar com facilidade.

Alma 11

Oak, a flor do guerreiro.
Vervain, a flor do idealismo e entusiasmo.
Aspen para abrir os canais intuitivos.
Clematis para não ficar fora da realidade e saber concretizar seus sonhos.

No entanto, não use os florais apenas pela sua “alma”. É sempre mais indicado procurar um terapeuta para conversar sobre as suas dificuldades e necessidades, pois outros aspectos com certeza irão somar e fazer a diferença naquele momento de sua vida.

Boa sorte!


 

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